domingo, 29 de março de 2015

Bolha


PARA O MENINO – BOLHA. 
Pequena Sala de Ideias

Jamile Cruz
Licencianda em Teatro da UFBA



Dia 18 de outubro fui ao Teatro Sesc- Senac Pelourinho assistir por sessenta minutos o espetáculo Para O menino Bolha em sua Pré – estreia na décima edição da Mostra Sesc de Arte Aldeia Pelourinho.


O espetáculo Para o Menino Bolha é uma montagem infantil repleta de leveza, ludicidade e comicidade, com figurinos encantadores e cheio de detalhes assim como o cenário. É uma peça prazerosa, com um cunho filosófico que nos fazem refletir sobre as mudanças que acontecem na infância e a necessidade do lúdico, do brincar para qualquer criança. Pois são com essas atividades que as crianças podem desenvolver não só a imaginação, como também explorar habilidades e afetos. A peça fala sobre a amizade entre duas crianças solitárias que por serem diferentes não sabem como fazer amigos de verdade e os criam em suas imaginações. Até que um dia eles se encontram através do intermédio do mesmo amiguinho imaginário e assim começam a descobrir como é conviver com outra pessoa sem ser pai, mãe, tio ou tia. 


As atividades lúdicas têm um papel fundamental na estruturação do psiquismo da criança, é no ato de brincar que a criança utiliza elementos da fantasia e a realidade e começa a distinguir o real do imaginário.(ANTUNES,2004)


Com Cenário minimalista, repleto de criatividade, cheio de cores, iluminação alternativa e trilha sonora original o espetáculo atraí tanto a criança quanto adulto para um mundo lúdico.



Cantam e encantam: Ludicidade e memórias

Cantam e encantam: Ludicidade e memórias

Jamile Cruz
Licencianda em Teatro da UFBA


Durante o Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia (Fiac) tive a oportunidade de assistir a montagem O Que de Você Ficou em Mim com direção de Luiz Antônio Jr, apresentada no corredor do prédio da sede localizado no bairro Politeama, com duração de cinquenta minutos. 
A escolha deste espaço é simbólico em muitos aspectos. Primeiro porque investimos numa pesquisa na qual o público é um coadjuvante ativas da ação, sendo conivente ás histórias reveladas... Segundo porque não tínhamos recurso... Terceiro, porque queríamos dizer á cidade que nossa casa agora era ali.(Texto retirado do caderno  Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia)
O que de Você Ficou em Mim é um espetáculo lindo e sensível montado a partir de memórias dos integrantes do grupo A Outra Companhia de Teatro. Pensando, inicialmente no processo, consigo perceber nitidamente que eles criaram a partir de materialidades, principalmente com as memórias dos integrantes. Alguns objetos estiveram presentes tanto no espetáculo quanto no processo, havendo uma mistura de ficção e memória. Adotaram princípios do teatro documentário que estrutura a dramaturgia a partir de documentos e fontes autênticas. Documentos e outras materialidades se relacionam com a encenação, a estética e a poética do espetáculo. Contaram entre as histórias mais alegres aquelas que  mais os afetaramde forma lúdica que me encantou do inicio ao fim, que me levou para uma esfera de identificação profunda, junto a uma iluminação intimista que induzia os espectadores a cada ambiente proposto. Em entrevista concedida a Joseval Santana Luiz Antônio Jr. fala sobre o processo do grupo

Foi um processo revelador e tenso. Há quase cinco anos investigamos um esquema de trabalho no qual todos dedicamos tempo para serviços fora de cena, de modo que , além de atores, desenvolvemos ações de produção, registro comunicação, cenografia, figurino... Ou seja, tenhamos ensaios ou não, estamos juntos, convivemos. Percebemos quando um não está bem... Essa intimidade foi fundamental para primeira etapa de coleta de material biográfico, contestávamos ao outro quando a historia não batia a que vivenciamos ou ouvimos pela primeira vez. Por outro lado, foi tensa, porque era difícil criar distanciamento para fazer da biografia uma ficção a ser exposta ao público. Senão, diferentemente de teatro, estaríamos fazendo uma terapia de grupo em público. .( Texto retirado do caderno Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia)

Foi um processo a partir de lembranças e objetos que marcam o presente, o passado e os levam a pensar no futuro, com  cenário encantador,  figurino cheio de cores que eram trocados em cena aberta. A maquiagem clownesca que era tirada na frente do público simbolizando a passagem de tempo, a mudança, a saída do velho para o novo. Esse espetáculo foi produzido quando o grupo estava próximo de completar dez anos de grupo e tinham acabado de sair do Teatro Villa Velha onde eles eram residentes. “Estávamos prestes a completar dez anos, recém-saídos do Villa Vella, cheios de vontade de movimentar a nova casa... Éramos nós e o que ficou de cada um que cruzou com a agente nesse caminho até chegar na casa d’ A Outra, nossa nova sede.”  No final eles deixam um espaço para mostra ao publico um quadro contendo todos os objetos que simbolizavam cada história e serviram como texto e pré texto para criação desse espetáculo. Tiveram fotografias, letras de músicas, medalhas, cd’s entre outros. Trouxeram as suas principais histórias e nos contaram de forma lúdica, em com contato direto com o público.
O Que de Você Ficou em Mim me fez rir e chorar diante de todas as identificações que tive. Durante os cinquenta minutos tive a possibilidade de acompanhar um espetáculo lúdico, com música ao vivo, cenário composto por adereços pessoais e muito encanto. Com os atores sempre em cena, sendo  iluminadores e músicos  provocando o jogo entre eles e a plateia.