Cantam e encantam: Ludicidade e memórias
Licencianda em Teatro da UFBA
Durante o Festival Internacional de Artes
Cênicas da Bahia (Fiac) tive a oportunidade de assistir a montagem O Que de Você Ficou em Mim com direção
de Luiz Antônio Jr, apresentada no corredor do
prédio da sede localizado no bairro Politeama, com duração de cinquenta
minutos.
A escolha deste espaço é simbólico em muitos aspectos. Primeiro porque
investimos numa pesquisa na qual o público é um coadjuvante ativas da ação, sendo
conivente ás histórias reveladas... Segundo porque não tínhamos recurso...
Terceiro, porque queríamos dizer á cidade que nossa casa agora era ali.(Texto
retirado do caderno Festival
Internacional de Artes Cênicas da Bahia)
O que de Você Ficou
em Mim é um espetáculo
lindo e sensível montado a partir de memórias dos integrantes do grupo A Outra Companhia de Teatro. Pensando,
inicialmente no processo, consigo perceber nitidamente que eles criaram a
partir de materialidades, principalmente com as memórias dos integrantes.
Alguns objetos estiveram presentes tanto no espetáculo quanto no processo,
havendo uma mistura de ficção e memória. Adotaram princípios do teatro
documentário que estrutura a dramaturgia a partir de documentos e fontes
autênticas. Documentos e outras materialidades se relacionam com a encenação, a
estética e a poética do espetáculo. Contaram entre as histórias mais alegres aquelas que
mais os afetaramde forma lúdica que me encantou do inicio ao fim, que me
levou para uma esfera de identificação profunda, junto a uma iluminação
intimista que induzia os espectadores a cada ambiente proposto. Em entrevista
concedida a Joseval Santana Luiz Antônio Jr. fala sobre o processo do grupo
Foi um processo revelador e tenso. Há quase cinco anos investigamos um
esquema de trabalho no qual todos dedicamos tempo para serviços fora de cena,
de modo que , além de atores, desenvolvemos ações de produção, registro
comunicação, cenografia, figurino... Ou seja, tenhamos ensaios ou não, estamos
juntos, convivemos. Percebemos quando um não está bem... Essa intimidade foi
fundamental para primeira etapa de coleta de material biográfico, contestávamos
ao outro quando a historia não batia a que vivenciamos ou ouvimos pela primeira
vez. Por outro lado, foi tensa, porque era difícil criar distanciamento para
fazer da biografia uma ficção a ser exposta ao público. Senão, diferentemente
de teatro, estaríamos fazendo uma terapia de grupo em público. .( Texto
retirado do caderno Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia)
Foi um processo a partir de lembranças e
objetos que marcam o presente, o passado e os levam a pensar no futuro,
com cenário encantador, figurino cheio de cores que eram trocados em
cena aberta. A maquiagem clownesca que era tirada na frente do público
simbolizando a passagem de tempo, a mudança, a saída do velho para o novo. Esse
espetáculo foi produzido quando o grupo estava próximo de completar dez anos de grupo e tinham acabado de sair do Teatro Villa Velha onde
eles eram residentes. “Estávamos prestes a completar dez anos, recém-saídos do
Villa Vella, cheios de vontade de movimentar a nova casa... Éramos nós e o que
ficou de cada um que cruzou com a agente nesse caminho até chegar na casa d’ A
Outra, nossa nova sede.” No final eles
deixam um espaço para mostra ao publico um quadro contendo todos os objetos que
simbolizavam cada história e serviram como texto e pré texto para criação desse
espetáculo. Tiveram fotografias, letras de músicas, medalhas, cd’s entre
outros. Trouxeram as suas principais histórias e nos contaram de forma lúdica, em
com contato direto com o público.
O Que de Você Ficou
em Mim me fez rir e chorar
diante de todas as identificações que tive. Durante os cinquenta minutos tive a
possibilidade de acompanhar um espetáculo lúdico, com música ao vivo, cenário composto por adereços pessoais e muito encanto. Com os atores sempre em cena,
sendo iluminadores e músicos provocando o jogo entre eles e a plateia.